Mídia : Isto é
Data : 31/08/2010
As chinas brasileiras
Com as maiores taxas de crescimento do País, Estados do NE atraem corporações e recebem volume recorde de investimentos
Amauri Segalla
“Troquei São Paulo por Recife e hoje me pergunto por que não fiz isso antes” Nivaldo Circuitani Júnior, executivo do Estaleiro Atlântico Sul
O engenheiro Nivaldo Circuitani Júnior, 45 anos, tinha uma carreira sólida em São Paulo até que, quatro meses atrás, recebeu um convite incomum. A proposta consistia em chefiar uma equipe de 500 pessoas da área de fabricação de acessórios náuticos do Estaleiro Atlântico Sul.
Se aceitasse a oferta, ele deveria trocar a capital paulista por Recife, em Pernambuco. Melhor ainda: por um salário maior. “É difícil para um profissional que trabalha na maior cidade do País acreditar que existem boas vagas no Nordeste”, diz Júnior.
“Aceitei o convite e até hoje me pergunto por que não me mudei antes para Pernambuco.”
Se até pouco tempo atrás o Nordeste era sinônimo de pobreza, hoje em dia a região cresce numa velocidade maior do que qualquer outro lugar do País. No primeiro trimestre de 2010, três dos Estados brasileiros que apresentaram maior avanço do Produto Interno Bruto (PIB) são nordestinos: Bahia (alta de 9,5%), Ceará (8,9%) e Pernambuco (7,8%).
De acordo com um estudo da Fundação Getulio Vargas, a renda do nordestino cresce, desde 2003, 7,27% ao ano, muito acima da média nacional (5,13%).
No século XXI, todos os indicadores econômicos do Nordeste apontam para um vigor que só é comparável à disparada chinesa rumo ao capitalismo. Detalhe: a China é o país que mais cresce no mundo.
Os programas públicos de transferência de renda tiveram um papel importante no desenvolvimento da região, mas o que fez mesmo a diferença foi a iniciativa privada. Nos últimos anos, o Nordeste se transformou em catalisador de recursos vindos de diversos setores.
O Estaleiro Atlântico Sul, empresa que pertence ao grupo Camargo Corrêa, desembolsou R$ 1,8 bilhão para produzir embarcações em Pernambuco – investimento que permitiu que executivos como Júnior trocassem o Sudeste rico por uma oportunidade de carreira no Nordeste.
Na área hoteleira, é covardia fazer comparações: 70% dos investimentos do setor estimados até 2012 no Brasil vão ser destinados para a região.
É natural que se espere uma avalanche de investimentos para estas áreas que pertencem a uma região marcada pela paisagem exuberante e pela orla generosa. Para qualquer segmento que se olhe, porém, o Nordeste está na dianteira.
Na área imobiliária, Estados como Bahia, Ceará e Pernambuco vivem uma expansão sem precedentes. Responsável pelo projeto do Shopping Cidade Jardim, o mais luxuoso de São Paulo, a incorporadora JHSF está construindo um bairro inteiro em Salvador.
Com 19 torres residenciais, três comerciais, um hotel, shopping, escola e clube esportivo, o empreendimento vai gerar vendas equivalentes a R$ 1,2 bilhão.
Os apartamentos têm entre 70 e 320 metros quadrados e seus preços variam de R$ 200 mil a R$ 1,5 milhão – nada muito diferente, portanto, dos valores praticados em São Paulo para imóveis do mesmo padrão.
“Salvador é hoje o terceiro maior mercado imobiliário do País, só atrás de São Paulo e Brasília”, diz Luciano Amaral, diretor de incorporação da JHSF.
Especializada na área de condomínios de luxo, a Alphaville também está fazendo dinheiro na região. A empresa tem empreendimentos em todas as capitais nordestinas, à exceção de Aracaju e Maceió.
“Em nenhum outro lugar do Brasil a velocidade de vendas de nossos lotes é tão alta”, afirma Marcelo Willer, diretor de projetos da Alphaville Urbanismo
“Nenhuma região brasileira oferece tantas oportunidades de negócio quanto o Nordeste” Paulo Dalla Nora, diretor do banco Gerador
As empresas com forte atuação no Sudeste desembarcaram no Nordeste de olho no poder de consumo emergente da população.
Um estudo da consultoria Gouvêa de Souza concluiu que, para cada R$ 1 que sobra do salário do nordestino no final do mês, R$ 0,78 é gasto na compra de bens de consumo. É mais do que em qualquer outra localidade brasileira.
Por essa razão, corporações como AmBev, Ford, Totvs, Basf, Kraft, Whirpool e Perdigão, para citar apenas alguns exemplos, estão intensificando os investimentos em suas operações na região. De seu aporte recorde de R$ 2 bilhões para 2010, a AmBev vai destinar R$ 600 milhões para o Nordeste – o maior montante da história.
Diretor-executivo do banco Gerador, com sede no Recife e que atua principalmente no mercado nordestino, Paulo Dalla Nora apresenta dados que comprovam que os nordestinos estão gastando como nunca. “A quantidade de dinheiro em circulação no Nordeste aumenta 20% ao ano, o dobro da média brasileira.”
Esse tipo de informação foi suficiente para que Dalla Nora participasse, há pouco mais de um ano, da criação do banco Gerador. Sua ideia é levar crédito farto para uma população ávida por consumir. “Posso garantir, sem medo de errar, que nenhuma região brasileira oferece tantas oportunidades de negócio quanto o Nordeste”, diz o executivo.
Nosso Comentário:
O Nordeste Brasileiro Forma a Nossa China ou a Califórnia?
Quando alguém diz que a quantidade de dinheiro em circulação no Nordeste aumenta 20% ao ano, ninguém pode se recusar a não olhar para esse movimento econômico tipicamente chinês acontecendo aqui mesmo no Brasil.
É uma bola de neve descendo e crescendo a cada metro que passa. A Bahia (9,5%), Ceará (8,9%) e Pernambuco (7,8%) foram destaques de crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2010.
Mas isso não quer dizer que Maceió (Alagoas) não esteja tomada por obras de edifícios para a nascente classe média em parte de sua orla. Muitos compradores vêm do sudeste e até do exterior, maravilhados pela beleza local, mas há algo a mais.
O que será que acontece com o Nordeste para seu vigor ser comparado à disparada chinesa rumo ao capitalismo?
Será o sucesso da Bolsa-Família com bilhões de reais chegando à região todos os anos? Ou o aumento do salário mínimo já comprando hoje duas cestas básicas? Serão então os grandes projetos e indústrias chegando à região?
Enfim, sabe-se que as classes C e D do Nordeste surgiram com toda a força e todos correm atrás de seu vasto consumo. O Brasil ruma para o Nordeste, o Brasil quer conhecer o Nordeste, que é hoje o novo e cobiçado comprador.
Será que temos a nossa própria China aflorando bem aqui, com baixos salários e novos consumidores carentes?
Ou será que temos algo semelhante ao movimento americano para a Califórnia, quando as indústrias baseadas na Costa Leste, em meados do século 19 (1830), atingiram um ponto de saturação de mercado e avançaram em direção ao Meio-Oeste atrás de novos consumidores e taxas de expansão mais aceleradas?
O ECONOMIA BR sempre disse que o Nordeste um dia será igual não só a uma, mas a três CALIFÓRNIAS, baseado em um trabalho super pesado de irrigação (LNN).
Será então que o Brasil começa a não caber mais dentro do Brasil? Seja como for, este é o novo Brasil.
Roberto Silva
ECONOMIA BR
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Oi! Roberto,
Excelente texto. É minha primeira vez aqui. Que notícia maravilhosa. A nossa vez chegou, demorou, porém chegou. Aqui em Ipojuca, terceiro polo de empregos do Brasil, só não trabalha quem não quer. Logico, que o governo local precisa melhorar a infra-estrutura local, mas isso virá com o tempo.
As pousadas em Serrambi estão todas alugadas aos trabalhadores de Suape que estão vindo principalmente de São Paulo. O problema agora é moradia, estradas e saneamento básico. Temos até uma Escola Técnica Federal e outras escolas vocacionais voltadas para os empregos disponíveis em Suape.
O número de negócios aumentou muito por aqui e se Deus quiser ainda vai melhorar mais. Pena que a reportagem não falou do Condomínio luxuoso na Praia do Paiva e das lojas luxuosas no grande Recife, tais como a Dona Santa.
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Que bom, Drica, eu mesmo estive em Maceió ano passado e não acreditei na quantidade de quadras inteiras sendo construídas. Já sei que aí e na Bahia o movimento é bem mais intenso. Vamos que vamos, rs
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I
Para Votar depois da Migração e Interferência Militar, onde nenhuma cidade brasileira está preparada para receber fluxo de migrantes, percebe-se que a partir da década de 70, quando em 1967/68, o sistema político brasileiro foi mudado por uma revolução.
Sai o sistema dos Estados Unidos do Brasil e entra em vigor a República Federativa do Brasil (sonho maçom, sonho de príncipes Europeus), esta revolução teve como fundamento as nacionalidades e Raças, em toda a região sudeste uma forte corrente migratória.
Pessoas vindas principalmente do nordeste e Minas, regiões tidas como de difícil clima deveriam também ter um pequeno número de habitantes, coisa que não acontece, geralmente estas regiões por razões culturais são as que mais
populações apresentam.
Diversas explicações são apresentadas ao povo em geral, quando apresentadas, a mais popular razão dada é a seca no agreste, a construção da capital, ou coisa parecida, geralmente migram para regiões das grandes cidades do sudeste, mas também Vemos no sul, norte e centro oeste.
II
Analisando uma região próxima à cidade de São Paulo, percebe-se que uma pequena cidade oferece uns cinco ou dez por cento do total da sua população em número de empregos disponíveis, geralmente o salário é baixíssimo e poucas perspectivas de sucesso futuro, mesmo assim, verifica-se que deste total muito mais da metade da população é constituída por migrantes nordestinos ou de outros estados, geralmente um grande números de filhos, nestas regiões não existe uma sociedade moderna ou industrial, não existe desenvolvimento econômico, o que realmente ocorreu, foi a abertura da terra na década de 1970, quando grandes sítios ou fazendas foram partidas em lotes para serem vendidos aos migrantes de outros estados, o morador local não suportando o valor da terra ou por razões particulares resolveu vendê-la.
III
Agora com o passar dos anos (novas gerações) perceberam que são donos de uma situação e tentam com ajuda das igrejas e outros meios “democráticos” tirar o “branco” ou “Paulista” do poder, este por sua vez, se fecha em sociedades secretas e tentam sempre aumentar suas rendas, afastando-se da influência nativa ou negra, caso contrário, perdem a ajuda internacional.
São Paulo se tornou esquema de migrante. Analisando por estratégia econômica, esta política de especulação imobiliária só interessa aos donos da terra e a pessoas que dela se sustentam, porque se analisarmos mais profundamente verificamos que a receita tributária de cada mil lotes vendidos, equivalem a mais ou menos cinco por cento de empregos gerados com os impostos territoriais arrecadados, uma porcentagem muito baixa se compararmos aos gastos que teremos com o excesso populacional e a baixa de empregos, quando a população se apresenta maior do que o número de empregos (proposital).
Muitos conflitos surgem, criando áreas de violência e proliferação de marginais, consequentemente o aumento de segurança, impostos e maior custo de vida aos habitantes locais. O maior número populacional em comparação ao número de empregos oferecidos, favorecem aos empresários, que prontamente reduzem o valor da mão de obra, favorecendo as exportações e a Globalização.
Um esquema muito usado nestas regiões por migrantes é a abertura de mais um loteamento próximo à abertura de uma nova empresa, onde percebemos um esquema muito bem organizado, semelhante a um pacote envolvendo loteamento, empresa e migração.
IV
O que realmente as classes “superiores” ocultam constantemente é o fato de que a democratização do país nestas regiões beneficiou somente aos donos da terra e pessoas que dela se cercam, o privilégio do nascimento foi derrubado pela República Federativa do Brasil, ficando no seu lugar o privilégio do dinheiro, favorecendo como de sempre militares e a alta classe social.
Branco sem dinheiro, ou morre, ou se mistura. Porém vejamos, em áreas ditas como industrializadas no Estado de São Paulo, observa-se que em sua grande totalidade, seus funcionários são também nordestinos e de outros estados, raríssimos são os Paulistas nestas sociedades. Sabemos que antes do capitalismo o dinheiro era formado pelo comércio, exploração do trabalhador, violências, desrespeito, saques.
Comercializar com quem? Em áreas não industriais como a citada acima, fica muito difícil a comercialização, as mercadorias empilham-se nas lojas, os preços caem e a produção não é mais lucrativa – subconsumo. Prateleira cheia e bolso vazio.
Políticos de Esquerda iniciam seus Comandos, primeiramente aumentando todos os impostos e criando mais alguns, inicia-se o socialismo como forma de alcançar o tão esperado Comunismo, sem dúvida uma renovação étnica. Enquanto isto não ocorre, pretende os migrantes retirarem os direitos trabalhistas dos regionais, isto é, pretendem fazer uma flexibilização nas leis trabalhistas, um rodízio no sistema trabalhista, para que não faltem empregos aos desempregados ou outros povos migrantes, pensam inclusive e retirar férias, 13º , aposentadoria e tudo mais em nome da migração e Globalização.
O que realmente se percebe é um congresso nacional formado por cerca de 75% de empresários, 7% de comunicadores que apoiam inegavelmente empresários (espécie de fascismo ou nazismo), sendo que um em cada político é milionário, um quadro que não condiz com a realidade brasileira, portanto não é um “povo” merecedor de conquistas, talvez favores.
Qual Governo vai alterar o mercado imobiliário?
A ciranda especulativa e a cultura Urbana.
No mercado financeiro existe a interferência do estado, habitação é o principal problema no Brasil.
E pessoas ganhando terras de graça para morar.
Existe uma bolha especulativa no setor, Igual à crise americana, supervalorização ou superfaturamento.
O promotor quer apurar superfaturamento ou supervalorização das contas públicas?
Maluf é procurado pela Interpol por crimes também de supervalorização ou superfaturamento.
O custo do metro quadrado construído passa de R$ 1.118,00 (real) para R$ 4.901,85 (superfaturado).
O banco recebia num financiamento de 50 meses a uma taxa de 10% a.a 49% ao mês sobre os valores reais, agora passa a receber 552%ao mês sobre valores reais – superfaturados.
Tem melhor investimento ?
Contratos superfaturados em bancos.
Esta supervalorização é apoiada pelos Bancos, porque eles financiam em cima de tudo isto, o promotor vai se esconder.
A tecnologia e a engenharia financeira devem prestar apoio à população e não à elite.
A metade da cidade de São Paulo (Migrantes) vive em áreas irregulares, são 6 milhões.
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Que notícia excelente, Roberto, para dizer o mínimo. E concordo quando você afirma que o Nordeste brasileiro tem potencial para produzir o mesmo que três Califórnias nos próximos anos.
Potencial humano nós temos, o que falta (faltava) é investimento. Precisamos de água, tecnologia e políticas de fixação do homem à terra para as regiões Norte e Nordeste. O resto, virá com o tempo.
Finalmente, parabéns pelo novo Economia BR. O visual ficou “classudo” nesses tons…
Abraço.
Edu
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Excelente noticia para o Brasil, inclusive para São Paulo e Rio de Janeiro, que já são centros saturados há muitas décadas.
Vamos esperar que as políticas públicas federais continuem voltadas para o Nordeste para garantir a expansão da infraestrutura necessária à continuidade dos investimentos privados.
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Verdade, Edu. Se o Nordeste crescer com força, o Brasil inteiro só tem a ganhar com isso.
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Essa é uma notícia de encher os olhos. Até que enfim, o nordeste brasileiro vai deixar de ser o patinho feio da economia nacional.
Isso com toda certeza se deve a um governo que está fazendo até mesmo aquilo que não foi promessa de campanha.
Agradeço desde já ao responsável por essa ótima notícia.
Parabéns!!!
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Muito bom o texto, Roberto
Mas é só uma parte da descrição do que ocorre por aqui.
Com estas taxas de crescimento se você se afasta um pouco e retorna (em 5 anos) já percebe grande diferença.
Estes três estados são mesmo os principais mas apenas puxam os outros para o desenvolvimento, como a transnordestina com Ceará e Pernambuco, mas também desenvolvendo o Piauí.
Acredito que estamos mais para California (pois os salários aqui se desenvolvem).
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