Índice Big Mac Mostra Sobrevalorização do Real Ante o Dólar

Mídia : O Globo

Data : 23/07/2010

The Economist’: Índice Big Mac mostra sobrevalorização do real ante o dólar

RIO – A revista britânica “The Economist” publica nesta semana mais uma edição de seu tradicional Índice Big Mac, que compara os preços do famoso sanduíche em diversos países para detectar pistas sobre a situação do câmbio em relação ao dólar nas economias pesquisadas.  E a notícia não é nada boa para os fãs da rede de fast food: o Big Mac do Brasil aparece na lista como o quarto mais caro do mundo, atrás apenas de Noruega, Suécia e Suíça.

Comer o sanduíche aqui custa o equivalente a US$ 4,91 (ou R$ 8,71), mais caro que o preço nos Estados Unidos, onde ele custa US$ 3,73 (R$ 6,57). A partir daí, a revista conclui que o real está sobrevalorizado em 31% em relação ao dólar. A publicação aponta ainda que o Brasil é um dos poucos países emergentes onde o câmbio aparece sobrevalorizado no índice.

Ou seja, levando-se em conta o índice utilizado pela Economist, o dólar deveria atualmente estar cotado em R$ 2,33. A revista considera que o ideal é que o sanduíche custe o mesmo que nos Estados Unidos.

“O real do Brasil é uma das poucas moedas de mercados emergentes que são negociadas bem acima do ponto de referência do índice Big Mac.

Com os juros altos, o Brasil tem atraído a atenção de investidores famintos por lucros. A economia do hambúrguer sugere que o real está sobrevalorizado em 31%”, diz a revista.

Lembrando que câmbios mais baixos tornam as exportações mais baratas, a revista afirma que a Ásia continua sendo o lugar mais barato para comer o sanduíche.

Na China, o Big Mac custa US$ 1,95, o que indicaria que o yuan, apesar da “flexibilização” prometida pelo governo chinês, está desvalorizado em 48%.

Entre os países pesquisados, o Big Mac mais barato pode ser comprado na Argentina, onde o sanduíche custa US$ 1,78, o que aponta uma desvalorização de 52% do peso em relação ao dólar.

A “Economist”, no entanto, admite que o Índice Big Mac não é uma ferramenta precisa para analisar o câmbio, e outros fatores, como preço de aluguéis e salários, influenciam no valor do sanduíche.

Nosso Comentário:

Interessante como este simples indicador, o Índice Big Mac, consegue compreender situações de desvio como acontece com Brasil e China, mesmo não sendo uma ferramenta precisa.

Coincidentemente ou não, os menores preços estão no sudeste da Ásia. Mesmo considerando que os impostos no Brasil são parte do problema, o câmbio está desvirtuado. Realmente, o dólar deveria estar valendo hoje algo como R$2,33.

O país não é competitivo, perde muito em exportações e ainda se rende às importações chinesas com câmbio artificialmente super desvalorizado.

Agora mesmo a Transpetro está importando aço chinês porque não consegue encontrar preços nacionais na mesma altura, ou seja, baixos. Algo está muito errado com a política econômica do atual governo. Além do câmbio, as mais altas taxas de juros do mundo também são escandalosas.

Exportamos alegremente bilhões de dólares em minério de ferro praticamente sem emprego de mão de obra e importamos ainda mais alegres aço e produtos acabados de alto valor agregado da China com extensivo emprego de mão de obra.

Até quando essa irracionalidade irá imperar no Brasil?

Roberto Silva

ECONOMIA BR

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