Mídia : JB Online
Data : 07/08/2010
Real tem sobrevalorização e deprecia contas externas
O real alcançou pela primeira vez em junho o mesmo nível de sobrevalorização em termos reais (descontada a inflação) registrado em dezembro de 1998, a qual influenciou a crise cambial brasileira um ano depois, com maxidesvalorização da moeda e a consequente adoção do câmbio flutuante.
O movimento, segundo especialistas, contribui para o aumento do rombo nas contas externas, já que as importações ficam mais atrativas que as exportações.
A série histórica do Banco Central, que mede o valor relativo do real em relação àquele das moedas dos principais parceiros comerciais do Brasil, caiu para o patamar de 75,6 em junho, valor muito próximo dos 75,4 verificados em dezembro de 1998. Quanto menor esse índice, mais valorizada está a moeda de um país.
Esses dados são a evidência de que o real está sobrevalorizado observa Julio Callegari, economista do JPMorgan.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil não pode permitir exageros na valorização do real ante as moedas estrangeiras.
Para o ministro, a desvalorização das moedas de países desenvolvidos tem trazido uma desvantagem comercial muito grande para o Brasil.
No entanto, Mantega ponderou que o atual patamar do real em relação ao dólar em que a moeda americana vale um pouco mais do que R$ 1,70 é razoável. De acordo com o ministro, há uma preocupação para que o real não se valorize demais.
Há uma tendência de desvalorização das moedas dos chamados países avançados, o dólar se desvalorizou, o iene, o próprio euro, e isso traz uma desvantagem comercial muito grande acrescentou Mantega. É claro que temos de admitir uma certa valorização, como já fizemos.
Para o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, a valorização do real é explicada pela grande diferença entre o nível de juros doméstico e as taxas internacionais, associada à percepção de que o risco de investir no Brasil caiu. A sobrevalorização contribui para a continuação do aumento do rombo nas contas externas, e o deficit é cada vez mais financiado por capital volátil, de curto prazo analisa.
De acordo com Mantega, a força da moeda brasileira é mostrada, por exemplo, nas transações no mercado futuro, em que o real é hoje a segunda moeda mais utilizada nesse tipo de operações, perdendo apenas para o dólar e ficando à frente do euro, da libra e do iene.
Nosso Comentário:
É incrível que, em plena crise econômica dos países ditos desenvolvidos, o Brasil continue patinando com essa sobrevalorização do Real, e mantendo taxas de juros altas em vista de uma inflação que vem se desmanchando.
Não existe uma cultura exportadora de fato e o país se entrega às importações chinesas, cuja moeda é artificialmente atrelada ao enfraquecido e hoje desvalorizado Dólar.
É uma pena que não haja sequer um único candidato a presidente que proponha uma mudança de política cambial e econômica.
Pelo visto, o câmbio 100% flutuante continuará engessando nossas exportações e prejudicando as contas externas, sem esquecer que a especulação com a moeda e os ganhos fáceis e rápidos no mercado financeiro nativo seguirá atraindo os tubarões de todo o mundo, nos custando mais divisas. É um jogo perigoso.
A Petrobras está caminhando para captar no mercado externo até US$ 50 bilhões com vendas de ações nas próximas semanas. Que impacto terá a entrada desse montante sobre a valorização do Real? Com Dólares fartos, a tendência é de mais valorização do Real, que poderá ficar abaixo de R$ 1,70 por cada Dólar.
Roberto Silva
ECONOMIA BR
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