Mídia : Revista Época
Dilma condena “política cambial perversa” dos países ricos
Segundo a presidente, países desenvolvidos fazem um “tsunami monetário”, despejando dólares no mercado internacional para desvalorizar a moeda americana e ganhar competitividade nas exportações, em detrimento da economia dos países emergentes
Redação Época, Com Agências
A presidente Dilma Rousseff fala durante cerimônia de assinatura do Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção (Foto: Antonio Cruz/Abr)
Após aprovar uma nova medida para tentar conter a valorização do real frente ao dólar, a presidente Dilma Rousseff fez uma série de críticas, nesta quinta-feira (1º), às políticas monetárias dos países desenvolvidos.
Segundo Dilma, os países ricos agem de forma “perversa” na guerra cambial com os países emergentes.
“Nós nos preocupamos, sim, com esse tsunami monetário que os países desenvolvidos fazem ao não seguir políticas fiscais de ampliação da capacidade de investimento para sair da crise em que estão metidos”, disse a presidente, acrescentando que os países ricos criam uma “guerra cambial baseada numa política monetária expansionista, que cria situações desiguais”.
Dilma disse que os países ricos “despejam” trilhões de dólares no mundo, o que na prática reduz a cotação do dólar e valoriza as moedas locais.
O resultado dessa política é que as exportações dos países emergentes ficam mais caras e menos competitivas no mercado internacional, e no mercado brasileiro, os produtos importados ficam mais baratos do que os de fabricação nacional, prejudicando a indústria brasileira.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também deu declarações em defesa das políticas brasileiras contra a valorização do real. “O governo não ficará assistindo impassível a essa guerra cambial.
Nós temos que nos defender”, disse Mantega, em entrevista coletiva. “O governo continuará tomando medidas para que o real não se valorize prejudicando a produção brasileira”, acrescentou.
Decreto estende prazo de cobrança do IOF
A medida adotada pelo governo estende para três anos a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% cobradas sobre os empréstimos externos. Em abril do ano passado o governo já havia estendido o prazo de 360 para até 720 dias. A mudança vale a partir desta quinta-feira (1º).
Esta foi a terceira vez que o governo ampliou o prazo mínimo para isenção da cobrança do IOF incidentes nos empréstimos de bancos e empresas brasileiras no exterior. Toda operação com menos de 3 anos será tributada em 6%. A medida visa a reduzir o ingresso de dólares no país e evitar uma valorização excessiva no mercado. O recente fortalecimento do real vinha preocupando o governo.
Nesta quarta-feira (29), o Banco Central (BC) teve de intervir mais uma vez no mercado para evitar que o dólar ficasse próximo de R$ 1,70. Com a forte entrada de dólares no país e a consequente queda da moeda, ontem o BC fez dois tipos de operação: uma de compra de dólares no mercado à vista e outra equivalente à compra no mercado futuro.
Nosso Comentário:
Essas medidas de IOF são meros paliativos para o problema cambial mundial. Ou melhor, são insignificantes, mero jogo de cena.
Se os EUA e a UE praticam políticas cambiais perversas, a única saída para o Brasil reverter a situação é praticar uma outra política cambial que não a imposta por essas economias e da qual a China também se aproveita demasiadamente.
Já passou a hora de o Brasil deixar de lado o câmbio flutuante e estabelecer seu próprio câmbio, que poderia flutuar dentro de certos parâmetros e perto da faixa de R$ 2,00 por dólar ou superior.
Os EUA e a UE continuarão a imprimir e despejar mais que esses US$ 4,7 trilhões de suas moedas por todos os cantos, com mais “tsunamis monetários”, inconsequentemente. Sabemos onde isso vai terminar.
A China também continuará exportando para todo o mundo com seu iuane muito desvalorizado e condições de trabalho subumanas, com o aval dos EUA e de suas milhares de empresas lá instaladas.
O fato mesmo é que todos estão hoje em plena guerra cambial, mas com o objetivo exclusivo de sobreviverem à concorrência da China nos mercados em que atuam. Nesse quadro, nosso mercado é disputado.
O Brasil precisa encontrar sua estratégia antes que seja tarde demais para a sobrevivência de sua própria indústria. Deixemos os outros se destruírem com esse jogo perigoso.
Discurso de Dilma Rousseff (ver aos 35 minutos):
Roberto Silva
ECONOMIA BR
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