A ECONOMIA
BRASILEIRA
INDICADORES ECONÔMICOS
INDÚSTRIA SIDERÚRGICA
O Brasil é o maior produtor de aço da América Latina, tendo capacidade produtiva em 2008 de 41 milhões de toneladas (mt). O 2º colocado é o México com 15 mt ao ano.
Enquanto isso, a China produzia 502 mt somente em 2005, mais de 12 vezes superior à toda capacidade brasileira. Ela transformou-se, em poucos anos, no maior produtor, consumidor e importador mundial de produtos siderúrgicos.
Isso tem fortemente afetado todo o mercado mundial de aço e suas matérias-primas. Seu enorme excedente exportável constitui hoje uma ameaça que impõe ao mercado mundial um novo ciclo de fusões e aquisições, com a criação de grandes conglomerados internacionais, como a Mittal-Arcelor.
A indústria siderúrgica brasileira proucrou mobilizar-se para acompanhar a demanda da China e o consumo interno chegar a 25 mt ao ano até 2010. Para tal, tem investido bilhões de dólares para aumentar a sua capacidade produtiva nesse período.
Entretanto, os recentes excedentes chineses podem mudar toda a situação futura. Para fazer valer suas vantagens comparativas e a forte competitividade da indústria nacional, é necessário haver uma grande melhoria em logística até os portos, e desoneração tributária, entre outros.
A indústria nacional planejava aumentar a produção anual para atingir um patamar de 63 mt em 2010. Se o plano tivesse tido sucesso, o Brasil saltaria do 9º lugar entre os maiores produtores de aço do mundo, para o 5º, desbancando a Coréia do Sul.
Depois disso, de acordo com os industriais, haveria potencial e investimentos sendo feitos para o país produzir acima de 80 mt de aço ao ano até 2015, com excedente exportável de 17 mt.
Entretanto, a grande crise de 2008/2009, fez a produção e o consumo caírem bastante em 2009, adiando os planos. A produção de aço bruto no Brasil ficou em apenas 26,65 mt, com uma incrível queda de 21% sobre o ano de 2008 (ver tabela abaixo). O consumo no mercado interno ficou em apenas 18,32 mt. Já as exportações ficaram em sofríveis 9,48 milhões de toneladas.
Segundo o Instituto Aço Brasil (IABr), em 2010, a produção de aço deverá crescer 24,2%, para 33,1 mt. O consumo interno deverá ter alta de 21,6%, para 22,9 mt. As exportações poderão crescer 16%, chegando a 11 mt.
Pelo visto, o Brasil só anda em círculos, enquanto a China é o que é, compra nosso minério de ferro a preços vis e a Vale só pensa em minerar e exportar, siderurgia nada.
PRODUÇÃO MUNDIAL DE AÇO BRUTO
EM MILHÕES DE TONELADAS - 2008
LUGAR
PAÍS MT
1º
China
502,01
2º
Japão
118,74
3º
Estados Unidos 91,49
4º
Rússia
68,51
5º
Índia
55,95
6º
Coréia do Sul
53,49
7º
Alemanha
45,83
8º
Ucrânia
37,10
9º
Brasil
33,71 10º
Itália
30,48
Fonte : Instituto Internacional de Ferro e Aço, e VALE.
INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA
Com 3,64 milhões de unidades fabricadas, a produção de veículos no país encerrou 2010 batendo recorde.
A alta em relação ao ano anterior foi de 14,3%. Do total de veículos produzidos, 765.000 foram exportados.
Tal recorde foi o terceiro consecutivo do setor, que encerrou 2010 com número de vendas 9,8% maior que em 2009, consolidando-se como o 4º mercado mundial de veículos.
Em 2009, o Brasil passou os Estados Unidos na produção mundial de carros de passeio e assumiu a 5ª colocação do ranking divulgado pela Organisation Internationale des Constructeurs d´Automobiles (OICA). Em termos de veículos automotores em geral, continuou na 6ª posição.
Foram contabilizados mais de 2,5 milhões de automóveis produzidos no país em 2009, enquanto que os EUA tiveram produção abaixo dos 2,3 milhões de veículos. Os EUA consomem mais carros utilitários, altamente beberrões, onde aparecem na 3ª posição do ranking, com cerca de 3,4 milhões de veículos.
FROTA
Por volta de 2002, o Brasil estava atrás de todos esses pequenos países abaixo porque a população, além de ter baixa renda, não conta com as mesmas condições de financiamento destes e ainda paga impostos muito superiores pelos veículos, como se fossem cigarros (!).
Por conta disso, o Brasil tinha em 2002 a razão de 8 habitantes por veículo, enquanto a maioria dos países concorrentes tinha entre 1 e 2 habitantes por veículo. Em 2010, o Brasil já tinha por volta de 6 habitantes por veículo.
Ressalte-se que o Canadá foi ultrapassado pelo Brasil em 1997 e não mais recuperou sua posição, perdendo ainda para o México. O mercado segurador estimava existir uma frota de 22 milhões de automóveis em junho de 2004, sendo que somente 8,2 milhões eram segurados.
São mais de 1,6 milhão km de malha rodoviária, sendo que 165 mil km estão pavimentados. Em termos de setor, havia em 2005 mais de 30 plantas industriais de montadoras instaladas no país e 500 fabricantes de autopeças, contando com o apoio de mais de 4.580 concessionários de marcas, cujas vendas representavam 5 % do PIB industrial brasileiro.
Em 2008, o país tinha uma frota de 27,5 milhões de automóveis, chegando perto de 35 milhões em 2010.
As projeções indicavam que o Brasil poderia aumentar sua frota atual de veículos automotores para 100 milhões de automóveis até 2020, perdendo apenas para os EUA e a CHINA, que tinha 13,2 milhões de veículos em 2000 (12º) e cujo consumo vem explodindo a cada ano.
Basta que a economia brasileira continue crescendo, haja crédito cada vez mais barato e menos impostos automotivos.
FROTA MUNDIAL DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM MILHARES - 2008
LUGAR
PAÍS VEÍCULOS 1º
Estados Unidos
250.239
2º
Japão
75.528
3º
Alemanha
44.150
4º
Itália
40.835
5º
França
37.212 6º
Reino Unido
35.617
7º
Espanha
27.613
8º
Brasil
27.481
9º
México
26.653 10º
Canadá
20.520
Fonte : ANFAVEA.
A população do planeta está em 7 bilhões de pessoas e a frota mundial de veículos automotores supera 1 bilhão e continua crescendo, pois a cada ano já são mais 70 milhões de veículos produzidos.
FROTA BRASILEIRA DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM MILHÕES - 2002 A 2012
ANO VEÍCULOS 2002
34,2
2003
36,6
2004
39,2
2005
42,0
2006
45,3
2007
50,0
2008 54,0
2009
57,0
2010
64,8
2011 *
75,0
2012 *
86,0
(*) Previsões do ECONOMIA BR em março de 2011.
Já segundo um levantamento do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o total de veículos no país mais que dobrou nos últimos dez anos e atingiu 64,8 milhões (exatos 64.817.974) em dezembro de 2010. Em dez anos, o aumento acumulado é de 119%, ou seja, mais 35 milhões de veículos chegaram às ruas no período.
Segundo o órgão, essa seria a frota circulante no país e considera carros, motos, caminhões e outros tipos de automotores inseridos no cadastro desde 1990. Os dados do Denatran não desconsideram, por exemplo, eventuais proprietários que registraram o veículo, mas deixaram de circular e não deram baixa no registro.
PRODUÇÃO
O Brasil encontrava-se em 2001 somente em 10º lugar pelos motivos acima. Ressalte-se que Reino Unido, Itália e Rússia foram ultrapassados pelo Brasil naquela época dos anos 90 e não mais recuperaram competitividade.
<>Em 2004, o Brasil produziu 2,317 milhões de veículos automotores. Em 2005, foram produzidos no Brasil 2,530 milhões de veículos, 9,2% a mais do que em 2004 e um recorde na história do setor.
Já em 2006, o Brasil produziu 2,612 milhões de veículos automotores. Foi um recorde, pois até então o ano de 1997 havia tido o maior volume produzido na história, com 2,528 milhões de veículos. O ano de 2006 foi 3,3% superior ao de 1997. Foram vendidos no mercado interno 1,93 milhão de veículos, e foram exportadas 700 mil unidades.
>Faltaram só quase 20 mil veículos, o equivalente a produção de dois dias para que a indústria automobilística atingisse a marca de 3 milhões de unidades em 2007. Chegou-se a um total de 2,980 milhões de automóveis produzidos, o equivalente a uma expansão de 14,1 % em relação ao ano anterior.
Esse recorde histórico do país em 2007 refletiu o forte consumo interno por veículos, estimulada pelo crescimento da renda do trabalhador e pela então recente facilidade de acesso ao crédito. Com esse resultado, o Brasil passou da 8ª para a 6ª posição no ranking mundial de fabricantes, ultrapassando Espanha e França.
Pelos cálculos da Anfavea, Espanha e França fecharam 2007 com produção próxima de 2,9 milhões de unidades cada, o que deu vantagem ao Brasil, ainda que por pouca diferença.
O ano de 2008 foi bom para o Brasil, com 3,216 milhões de veículos automotores. Já 2009 foi o ano da crise mundial, e o país produziu menos, com 3,187 milhões. A queda foi de apenas 1%.
Já 2010 foi excelente, com 3,640 milhões de veículos e um aumento de 14,4% sobre o fraco 2009.
Em março de 2011, foi divulgado que fevereiro teve um forte aumento de produção, de 24% sobre o mesmo mês do ano anterior. O mercado interno e as exportações iam bem, mesmo com certos ventos ao contrário, como juros e câmbio.
PRODUÇÃO ANUAL DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES NO BRASIL
EM UNIDADES - 2002 A 2012
(*) Previsões do ECONOMIA BR em março de 2011.
ANO
UNIDADES
VAR. %
2002
1.791.530
-
2003
1.827.791
+ 2,0
2004
2.317.227
+ 26,8
2005
2.530.840
+ 9,2
2006
2.612.329
+ 3,2 2007
2.980.108
+ 14,1
2008 3.215.976
+ 7,9
2009
3.182.923
- 1,0
2010
3.640.000
+ 14,4 2011 *
4.300.000
+ 18,1 2012 *
5.000.000
+ 16,2
PRODUÇÃO MUNDIAL DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM UNIDADES - 2009
A produção mundial foi de 57 milhões em 2009.
LUGAR
PAÍS 2009
1º
China
13.791.000
2º
Japão
7.935.000 3º
Estados Unidos
5.709.000
4º
Alemanha
5.210.000
5º
Coréia do Sul
3.513.000
6º
Brasil
3.183.000
7º
Índia
2.632.000
8º
Espanha
2.170.000
9º
França
2.048.000
10º
México
1.561.000
As projeções indicam que o Brasil poderá ainda triplicar (3X) essa produção anualizada próxima a 4 milhões, tanto para o mercado interno quanto para o externo, para algo como 12 milhões de autoveículos anuais até 2020, perdendo apenas para os EUA e a CHINA.
A China produzia 970 mil veículos em 1992, 2,334 milhões em 2001, 4,444 milhões em 2003, e continuou avançando fortemente, com seu consumo explodindo a cada ano. Em 2007, saltou para 7 milhões de unidades. Porém, ela depende do cada dia mais valioso minério de ferro, boa parte vinda do Brasil.
O crescimento das exportações continua sendo auspicioso, mesmo com o Real supervalorizado. Em 2008, as vendas externas foram de US$ 13,8 bilhões. Em 2003, foram de US$ 4,7 bilhões, US$ 1,3 bilhão acima de 2002. As vendas de 2008 só deverão ser batidas em 2011.
EXPORTAÇÕES ANUAIS DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM BILHÕES DE DÓLARES
2002 A 2012
ANO
US$ BILHÕES
VAR. %
2002
3,4
-
2003
4,7
38,0
2004
8,0
70,2
2005
11,2
40,0
2006
12,1
8,0
2007
13,2
9,0
2008
13,8
4,5 2009
8,3
- 39,9
2010
12,9
+ 55,4
2011 *
15,5
+ 20,0
2012 *
18,6
+ 20,0
(*) Previsões do ECONOMIA BR em março de 2011.
Em 2009, o Brasil passou os Estados Unidos na produção mundial de carros de passeio e assumiu a 5ª colocação do ranking divulgado pela Organisation Internationale des Constructeurs d´Automobiles (OICA). Isso não é incrível, os EUA?
Foram contabilizados mais de 2,5 milhões de automóveis produzidos no país em 2009, enquanto que os EUA tiveram produção abaixo dos 2,3 milhões de veículos.
No topo do ranking aparece a China, com cerca de 10,3 milhões de carros produzidos, seguida pela pelo Japão (6,8 milhões), Alemanha (4,9 milhões) e Coreia do Sul (3,1 milhões).
No que diz respeito a veículos comerciais leves, o Brasil cai para a 6ª colocação, com apenas 606 mil unidades produzidas. Já os EUA, que consomem mais carros utilitários, aparecem na 3ª posição do ranking, com cerca de 3,4 milhões de veículos
Em 2010, a indústria automotiva mundial atingiu novo recorde no segmento de automóveis e comerciais leves. A produção mundial cresceu 19,6%, com 69 milhões de unidades vendidas contra 57 milhões em 2009, segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers.
Em contraste com o mal desempenho da indústria nos países desenvolvidos, houve forte crescimento do mercado no Brasil, na Índia, na China, na Rússia e em outros países emergentes em 2010 e 2011.
2011
Segundo a Anfavea, a produção e as vendas de veículos novos no país registraram avanços na casa de 24% em fevereiro de 2011 ante o mesmo mês de 2010.
A indústria automobilística brasileira produziu 310,65 mil veículos, recorde para o mês de fevereiro. O volume ficou 18,7% acima dos 261,77 mil veículos de janeiro de 2011.
No acumulado dos dois primeiros meses de 2011, a produção somou 572,43 mil unidades, com ampliação de 15,3% em relação ao primeiro bimestre do ano anterior.
Segundo as projeções da Anfavea, o ano de 2011 deverá fechar com 3,68 milhões de unidades produzidas, renovando o recorde de 2010, quando o setor produziu 3,64 milhões de veículos.
INDÚSTRIA AERONÁUTICA
Detentor da 3ª maior frota aérea atual, o Brasil conta com mais de 10.500 aeronaves e 32.000 pilotos em atividade, e as perspectivas desse mercado são bastante animadoras.
A EMBRAER é a principal Indústria Aeronáutica brasileira, produzindo mais de 170 aeronaves ao ano. Ela é hoje a 3ª indústria mundial, após a Boeing e a Airbus, e tendo já ultrapassado sua arqui-rival, a canadense Bombardier.
Veja todos os detalhes sobre a EMBRAER no DEFESA BR.
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Apresentação do EMBRAER EMB-190.(Foto Divulgação da Embraer)
Já a frota brasileira de aviões agrícolas é composta hoje de 1,1 mil aviões, a 2ª maior do mundo, que crescia 6 % ao ano e explodiu suas vendas em mais de 100 % em 2004. Os aparelhos da brasileira Neiva, subsidiária da Embraer correspondem a 80 % do total. A Neiva já entregou mais de 1.000 aviões Ipanema em 31 anos de produção. O Brasil tem um quadro superior a 1.300 pilotos agrícolas habilitados.
Em 6 de agosto de 2004, a TAM inaugurou o maior complexo de manutenção de aeronaves executivas fora dos Estados Unidos, em uma área de 54 mil m² em Jundiaí (São Paulo), que deverá atender às frotas do Mercosul. Em março de 2005, foi confirmada a aquisição da portuguesa OGMA pela EMBRAER.
INDÚSTRIA NAVAL
A indústria de construção naval brasileira conta com mais de 100 estaleiros, produzindo desde pequenos barcos de madeira até grandes navios. Os maiores funcionam no Rio de Janeiro e foram implantados no final da década de 50, com a criação do Fundo de Marinha Mercante (FMM), o qual é formado pela arrecadação de um adicional sobre os fretes.
A última expansão e modernização do setor aconteceu no final da década de 70. Em 1979, eles empregavam diretamente entre 40 mil e 50 mil pessoas. Eram construídos 50 navios ao ano e a indústria brasileira chegou a ser a 2ª no mundo. Os navios eram exportados com até 80 % de equipamentos nacionalizados. Depois disso, houve apenas decadência e esquecimento..
Naquela época, mais de 30 % do comércio exterior era transportado por navios de bandeira nacional. Um país com 8 mil km de litoral e 42 mil km de rios navegáveis não poderia continuar à mercê de armadores estrangeiros para fazer o seu comércio internacional, 95% dele feito por navio, a um custo anual de US$ 16 bilhões. Hoje, isso ainda não passa de 4 %. A frota nacional em 2000 tinha a metade da tonelagem dos anos 80.
Por falta de apoio financeiro, o país deixou de construir navios por muitos anos e perdeu a competitividade de outrora. Em 1998, os grandes estaleiros estavam fechados e a indústria empregava menos de 5 mil pessoas. Em 2000, esse número caiu para apenas 2 mil funcionários.
A situação só começou a melhorar na Era Lula, que decidiu mudar o cenário negativo de então e dar todo o incentivo à indústria naval nacional. Recuperar a indústria naval brasileira e reaparelhar a Marinha Mercante era uma questão de soberania, que demandava ação estratégica, para retomar empregos e divisas.
Em 2009, já existiam 25 estaleiros de médio e grande portes filiados ao Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (SINAVAL). Todos eram privados, sendo que 2 deles foram arrendados à Petrobras. Havia mais 5 deles em construção ou projetados, o que levaria o país a ter 30 estaleiros em breve.
Se, em 2000, havia apenas 2 mil funcionários em estaleiros brasileiros, em 2005 já eram 22 mil (e 110 mil empregos indiretos). Já em 2007, esse número saltou para 36 mil e, em 2009, chegou a 46 mil, sendo 185 mil indiretos, o que totalizava 231 mil empregos.
Estaleiro SERMETAL, ex-Ishibras, no Caju, Rio de Janeiro. Ele estava desativado e
a Petrobras o arrendou em 2009/2010 por 20 anos ao custo mensal de R$ 4 milhões.
Sua reforma em oito meses consumirá R$ 100 milhões. Será operado
por empresa terceirizada após licitação, para produzir
equipamentos para o Pré-Sal.
(Foto SERMETAL)
Chegamos ali ao patamar de empregos dos anos 70. Em 2010, o Brasil chegou a 50 mil empregos diretos e algo como 250 mil empregos totais.
Com o advento da epopeia do Pré-Sal e com o dinamismo do setor, a tendência é de triplicar esses números para 750 mil empregos totais - diretos e indiretos - até 2020 ou mesmo antes.
VÍDEO - SINAVAL - DESENVOLVIMENTO E
EMPREGOS NO BRASIL (01:52 MIN)
Filme Institucional do SINAVAL - Sindicato Nacional da Indústria
da Construção e Reparação Naval e Offshore. Ano de 2009
ESTALEIROS
Os Grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão - da construção pesada - montaram um consórcio para construir em 2005 o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), um mega-estaleiro de Classe Mundial no Complexo Industrial e Portuário de SUAPE (33 km de Recife), em Pernambuco, um dos mais modernos do mundo em construção de navios e plataformas marítimas petrolíferas e o maior do Hemisfério Sul.
O consórcio fez uma análise de 17 pontos de construção no Brasil e optou por Pernambuco, devido às condições de infra-estrutura de Suape. Quando no auge de sua operação, ele poderá ter um faturamento de US$ 6 bilhões e gerar mais de 5.000 empregos diretos e 15.000 indiretos.
Projeto do Estaleiro Atlântico Sul.
(Arte EAS)
Em 2009, ele tinha capacidade nominal para processar 160 mil toneladas de aço por ano, mas seu potencial chega a 400 mil. O EAS está comprometido com entregas (para Transpetro e Petrobras) até 2013.
Só para a Transpetro, o EAS montará 22 navios do âmbito do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) .
A partir daí, poderia fazer navios para a Vale, que encomendou US$ 1,6 bilhão de 12 grandes navios, cada um com capacidade de 400 mil toneladas, na China e discutia uma possível mudança com o EAS.
VÍDEO - ESTALEIRO ATLÂNTICO SUL (10:10 MIN)
O Atlântico Sul fica em uma área de 780 mil m2 e teve um custo de US$ 500 mihões, fazendo parte de uma política de descentralização dos investimentos em infra-estrutura no Sudeste. Ele tem o maior dique seco do Brasil, com uma extensão de 700 metros de cais.
A área será utilizada para a construção simultânea de dois navios e de uma plataforma de petróleo. Um navio petroleiro do porte de um Suez Max é construído em apenas 16 meses.
Em 2009, o EAS já era o mais moderno do país e contava com uma área em seu entorno que permitirá uma ampliação para deixá-lo do porte dos estaleiros gigantes sul-coreanos Hyundai, STX e Samsung.
Explica-se: os 13 maiores estaleiros do país ocupavam em 2009 área total de 3,5 milhões de m2, menor do que uma única unidade de gigantes mundiais como o Daewoo ou o Hyundai, respectivamente com 4,2 milhões de m2 e 6 milhões de m2 de área.
O Hyundai é um estaleiro capaz de cortar 2 milhões de toneladas por ano, e fabricar 70 navios por ano, o que perfaz a média de um navio pronto a cada quatro dias. Perto disso, o volume brasileiro, com capacidade total de 500 mil toneladas de chapas de aço por ano, era ainda insignificante.
No final de 2009, o consórcio fechava uma participação acionária minoritária da coreana Samsung no EAS e estudava instalar um novo estaleiro, além de ampliar as instalações em Suape, sempre balizado pelo horizonte promissor do Pré-Sal.
Com a mudança societária, que dependia de aprovações de BNDES e Transpetro, a Camargo Corrêa passaria a ter 40% do negócio, Queiroz Galvão (40%), PJMR (10%) e Samsung (10%).
O Estaleiro Atlântico Sul tem desde sua concepção como parceiro e usa tecnologias licenciadas da Samsung Heavy Industries.
Já a norueguesa Aker-Promar construiu os Estaleiros Promar I e II em Itajaí (SC) e Rio Grande (RS), com investimento total de US$ 150 milhões. Eles poderão construir navios Panamax (de 200 a 270 metros) e plataformas.
Vista aérea na fase de obras do Estaleiro Atlântico Sul.
(Foto Camargo Corrêa)
Localização do Estaleiro Atlântico Sul.
(Arte Estaleiro Atlântico Sul)
Em julho de 2010, a Transpetro assinou contrato com o Estaleiro Promar para a construção de oito navios gaseiros do Promef, no valor de US$ 536 milhões. Só o Promar II construirá oito cascos de navios plataforma para a Petrobras. O Promar III deverá ser instalado no Ceará ou Pernambuco,
O grupo Wilson Sons anunciou a construção de novo estaleiro, também na cidade de Rio Grande. O Estaleiro Aliança está expandindo sua unidade de Niterói (RJ) e vai construir nova unidade em São Gonçalo (RJ).
Outros seis novos estaleiros serão constuídos a partir de 2010. Cada um receberá investimentos de até R$ 1 bilhão e serão erguidos nos Estados de Alagoas, Bahia (2), Espírito Santo, Amazonas (Corema, em Manaus) e Rio - polo histórico da indústria naval e onde está a maior parte dos estaleiros do país.
Mas tudo isso pode ser apenas o início de uma epopeia muito maior que a da primeira década do século XXI. Com o crescimento do Pré-Sal, todos querem investir pesado. De início, prevê-se ter uma capacidade de 900 mil toneladas de processamento de aço nos estaleiros do país no fim de 2011 ante 600 mil toneladas em 2009.
Grupos nacionais - como o Sinergy (estaleiros Eisa e Mauá); Camargo Corrêa e Queiroz Galvão; OAS e Setal - e internacionais - STX (Coreia do Sul) e Jurong (Cingapura) - já decidiram ou estudam instalar novos estaleiros. Outros três farão ampliações de suas instalações.
Como exemplo, a coreana STX construirá uma unidade no Ceará em duas etapas: a primeira com investimento de US$ 100 milhões (barcos menores de apoio à exploração de petróleo); a segunda custará US$ 500 milhões (plataformas e petroleiros).
Um do estaleiros que serão construídos na Bahia é o Estaleiro da Bahia, um consórcio entre OAS e Setal. O estaleiro em Alagoas será o Estaleiro Ilha S.A (Eisa), do grupo Synergy, de Germán Efromovich, previsto para a capital, Maceió. Há ainda a possibilidade de instalação de um novo estaleiro pelos sócios do Estaleiro Atlântico Sul (EAS).
Encontra-se em análise a criação de uma outra empresa focada na construção de “topsides” para plataformas. Essa unidade poderia ser instalada em Suape (PE), onde fica o EAS, ou em outro Estado.
A empresa OSX, do grupo EBX, de Eike Batista, estuda construir um estaleiro em Biguaçu (SC), o qual nasceria para atender, preferencialmente, a demanda da empresa de produção de petróleo da OGX. Em meados de 2010, um problema de licenciamento ambiental ameaçava levar a iniciativa da OSX para o Rio de Janeiro.
ENCOMENDAS
Dois produtos dos estaleiros nacionais que serão
demandados em longa série para o Pré-Sal,
uma plataforma e um navio de apoio.
(Foto Valor)
A Petrobras anunciou investimento de US$ 174,4 bilhões de 2009 a 2013 e prevê que, de 2010 a 2014, o valor fique entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões. A empresa precisa de: 28 navios-sonda, mais de 300 barcos de apoio e um volume de plataformas que pode chegar a 80.
A Transpetro, subsidiária da Petrobras, em 2010, estava encomendando 49 navios petroleiros (opera 102), sendo que 46 já haviam sido licitados, e 38 deles já estavam em construção ou em preparo para o início dos trabalhos.
Toda essa encomenda atende ao Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef I), com investimento de US$ 4,7 bilhões. Mega concorrências como essas é que vêm incentivando grupos nacionais e estrangeiros a construírem mais e mais estaleiros no país.
Em abril de 2007, foi anunciado que a Transpetro estaria preparando a encomenda de um navio tipo Panamax de 75 mil ton para transporte na exportação de ETANOL, que seria o primeiro de muitos outros, nos anos seguintes.
ENCOMENDAS
CONTRATADAS DE
NAVIOS PETROLEIROS
PARA A TRANSPETRO
EM 2010
Além disso, o BNDES criava um fundo de investimentos para financiar a construção de embarcações no país, complementando os recursos do FMM, para dar o suporte ideal à firme retomada da indústria naval brasileira. O FMM financia até 90 % dos projetos e dispunha em 2007 de R$ 2 bilhões.
ESTALEIRO
ESTADO
Nº
Atlântico Sul
PE
22
EISA
RJ
4
Mauá
RJ
4
Superpesa
RJ
3
Rio Nave
RJ
5
TOTAL
38
Encomendas contratadas:
● Dez navios Suezmax (160.000 Toneladas de Porte Bruto-TPB) - EAS (PE) - US$ 1,2 bilhão
● Cinco navios Aframax (110.000 TPB) – EAS (PE) - US$ 693 milhões
● Quatro navios aliviadores Suezmax DP (com posicionamento dinâmico) (160.00 TPB) – EAS (PE) - US$ 746 milhões
● Três navios aliviadores Aframax DP (com posicionamento dinâmico) (110.000 TPB) – EAS (PE) - US$ 477 milhões● Quatro navios Panamax (73.000 TPB) – EISA (RJ) - US$ 468 milhões
● Quatro navios de produtos (48.000 TPB) – Mauá (RJ) - US$ 277 milhões
● Três navios de bunker (óleo combustível marítimo) - Superpesa (RJ) - US$ 46 milhões
● Cinco navios de Produtos, para transporte de derivados de petróleo – 30 mil TPB – Estaleiro Rio Nave (RJ) – US$ 268 milhões
Há vários novos projetos nessa área, além dos petroleiros, seja de barcos de apoio e de estruturas off-shore, para atender o programa estratégico e meta de autonomia na produção e escoamento de petróleo nos próximos anos. Só com esse programa, previa-se em 2007 empregar 70 mil trabalhadores em 2010 e mais 140 mil até 2020.
Em 26 de maio de 2008, foi lançado o Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da Petrobras e a 2ª etapa do Programa de Modernização da Frota de Petroleiros, da Transpetro.
Tais programas visam atender ao programa estratégico de produção e escoamento de petróleo dos novos grandes campos do pré-sal nos próximos anos.
São 146 embarcações de apoio da Petrobras com valor estimado em R$ 5 bilhões, e 23 petroleiros da Transpetro. Os navios teriam de ser construídos no Brasil, com um mínimo de 70 % de conteúdo nacional.
Cada navio vai gerar cerca de 500 postos de trabalho, em um total aproximado de 73 mil novos empregos, somados a 22 mil estimados pela Transpetro, por 6 anos. Durante esse período, seriam realizadas 7 licitações.
VÍDEO - INDÚSTRIA NAVAL VAI
DE VENTO EM POPA (02:30 MIN)
Reportagem do Jornal das Dez, do canal Globonews, em
maio de 2009, informa que, apesar da crise, o setor
aposta no crescimento e na geração de empregos.
Entre as 146 embarcações programadas pela Petrobras, 64 serão destinadas a atividades de suprimento, 54 ao manuseio de âncoras de grande porte, 18 para operações de recolhimento de óleo (exigência do Ibama) e 10 rebocadores.
Também fazem parte do pacote a possível contratação de 2 superpetroleiros com capacidade de 300 mil toneladas, considerados os maiores do mundo, a um custo unitário de US$ 180 milhões.
A Petrobras pretende ainda contratar 40 navios-sonda e plataformas de perfuração semi-submergíveis para operarem em águas profundas e ultraprofundas, com expectativa de entrar em operação até 2017.
O presidente Lula lançou ao mar em 7 de maio de 2010 o primeiro navio do Promef no Estaleiro Atlântico Sul (EAS).
O navio do tipo Suezmax foi um marco histórico para a indústria naval brasileira por tratar-se da primeira embarcação de grande porte construída no Brasil a ser entregue ao Sistema Petrobras em 13 anos. A última havia sido o Livramento, cuja construção foi encomendada em 1987 e levou 10 anos para ser concluída.
O navio petroleiro “João Cândido” tem 274 metros de comprimento, com capacidade para um milhão de barris de petróleo, e será utilizado, principalmente, para o transporte de longo curso (viagens internacionais).
VÍDEO - LANÇAMENTO DO NAVIO
JOÃO CÂNDIDO (00:58 MIN)
A 5ª MAIOR INDÚSTRIA NAVAL DO MUNDO
Impulsionada pelas encomendas crescentes da Petrobras desde 2001 e especialmente pela exigência de compras de fornecedores locais introduzidas pelo governo Lula em 2003, a indústria naval brasileira renasceu na primeira década do século 21 e passou a ser a sexta maior do mundo já em 2009 e pulou para a qunta posição em 2010..
As encomendas aos estaleiros e os novos investimentos somavam em 2009 R$ 55 bilhões, havendo 195 embarcações já contratadas ou com a construção anunciada. Eram gerados 46 mil empregos diretos.
Construção de navio para a Petrobras pela indústria naval brasileira.
(Foto Folha de São Paulo)
Foi essa cifra que colocou o país em 6º lugar, somente atrás de China, Coreia do Sul, Japão, União Europeia e Índia. O interessante é que o Brasil já ficava à frente dos Estados Unidos. Considerando-se somente navios petroleiros, o Brasil já era o 5º maior em 2009.
MAIORES INDÚSTRIAS NAVAIS
DO MUNDO EM 2009
LUGAR
PAÍS 1º
CHINA
2º
COREIA DO SUL
3º
JAPÃO
4º
UNIÃO EUROPEIA
5º
ÍNDIA
6º
BRASIL
7º
EUA
Brasil passaria a ser o quinto maior já em
2010, com 50 mil empregos diretos.
Diferentemente da China - que se especializou e investiu pesado nos últimos cinco anos, o motor da indústria naval brasileira não é o transporte marítimo de commodities, mas sim a exploração marítima de petróleo.
Esse segmento produz um volume menor de embarcações, mas faz unidades mais sofisticadas e caras. Nele, a liderança global é de Cingapura e da Coreia do Sul, líderes mundiais em tecnologia e com altos subsídios governamentais.
Cada plataforma de produção de petróleo pode custar mais de US$ 2 bilhões e consumir até dois anos de trabalho. Uma sonda de perfuração, usada na exploração dos campos marítimos, não sai por menos de US$ 1 bilhão. Já um petroleiro varia de US$ 60 milhões a US$ 100 milhões, de acordo com o porte da embarcação, e leva pelo menos oito meses para ficar pronto.
Como visto, no Brasil, a indústria ressurgiu na esteira das encomendas da Petrobras e tem um estímulo adicional graças à descoberta do Pré-Sal. Mas seu dinamismo atraiu novos clientes: a estatal Venezuelana PDSVA encomendou dez petroleiros ao estaleiro Eisa e a Vale comprometeu-se a fazer uma concorrência para a construção de quatro navios de grande porte para o transporte de minério de ferro.
FONTES & LINKS
CVRD
ANFAVEA
Organisation Internationale des Constructeurs d´Automobiles (OICA)
Estaleiro Atlântico Sul