Uma
política de preços mínimos passou a ser praticada para estimular a produção, e
para que o país deixasse de importar e passasse a exportar em larga escala, a
médio prazo, pois o tempo é curto (vide CHINA abaixo).
Devido à sua fantástica produtividade, o Brasil assusta outros competidores, que temem perder mais e
mais mercado em um mundo em
crescente aquecimento e secas. Esse é o motivo da onda
protecionista nos EUA e na UE,
que colocaram em risco
a Rodada de Doha na OMC.
Enquanto não houver avanços
para um acordo na agricultura, não haverá acordos.
Por outro lado, estima-se que, em
2018, a CHINA estará
importando mais que 2 bilhões de toneladas de alimentos. O que e o quanto poderá a
Índia e o resto da Ásia estarem necessitando importar nessa mesma
época ? E o Oriente
Médio ? E a cansada, velha, exigente e rica Europa ? E os gordos
consumistas americanos ?
A produção agrícola mundial não
conseguirá acompanhar o crescimento do consumo até 2018,
sendo que a agricultura da CHINA (sua planície norte é responsável por 1/3 da colheita de
grãos do mundo)
deverá, inevitavelmente, entrar em colapso por falta de
água.
Seus lençóis
freáticos serão totalmente exauridos, o que
levará a uma explosão mundial nos preços dos
alimentos. O quase
incomensurável mercado consumidor chinês terá
saltado de 400 milhões de pessoas (de 1,3 bilhão de
habitantes) para mais de 1,5 bilhão de consumidores com alto
poder aquisitivo e de hábitos alimentares bastante exigentes, se
comparados com os parcos hábitos atuais.
TERCEIRO MAIOR EXPORTADOR AGRÍCOLA
O Brasil ultrapassou o Canadá e se tornou o terceiro maior
exportador de produtos agrícolas do mundo em 2008. Na
última década, o país já havia deixado para
trás Austrália e China. Hoje, apenas Estados Unidos e
União Europeia vendem mais alimentos no planeta que os
agricultores e pecuaristas brasileiros.
Dados da Organização Mundial de Comércio (OMC),
divulgados em 2010, apontam que o Brasil exportou US$ 61,4
bilhões em produtos agropecuários em 2008, comparado com
US$ 54 bilhões do Canadá. Em 2007, os canadenses
mantinham estreita vantagem, com vendas de US$ 48,7 bilhões,
ante US$ 48,3 bilhões do Brasil.
O ritmo de crescimento da produção brasileira de
alimentos na época já deixava claro que a virada estava
prestes a
ocorrer. Entre 2000 e 2008, as exportações
agrícolas do Brasil cresceram 18,6%, em
média, por ano, acima dos 6,3% do Canadá, 6% da
Austrália, 8,4% dos Estados Unidos e 11,4% da União
Europeia. Em 2000, o país ocupava o sexto lugar no ranking dos
exportadores agrícolas.
Uma série de fatores garantiu o avanço da agricultura
brasileira nos últimos anos: recursos naturais (solo,
água e luz) abundantes, diversidade de produtos, um câmbio
relativamente favorável até 2006 (depois a
valorização do real prejudicou a rentabilidade), o
aumento da demanda dos países asiáticos e o crescimento
da produtividade das lavouras.
FUTURO PRIMEIRO EXPORTADOR AGRÍCOLA
Em 14 de junho de 2011, o ministro da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, Wagner Rossi, apresentou as estimativas para o
agronegócio brasileiro na próxima década. Os
números mostram que o Brasil está pronto para contribuir
no grande desafio da economia mundial, que é enfrentar a fome.
O ministro disse que a produção de
alimentos no Brasil está em forte crescimento e deve levar o
país a se
tornar o maior fornecedor do mundo nos próximos anos. "Somos o
segundo
maior produtor internacional de alimentos. Estamos nos aproximando cada
diz mais dessa liderança, que hoje é dos Estados Unidos",
Esse avanço significativo do agronegócio brasileiro
até a próxima
década poderá ser ainda maior, na medida em que aumente a
demanda em
função de mais fome no mundo e mais desenvolvimento de
países super
populosos como a China e a Índia.
Para o ECONOMIA
BR, o Brasil está destinado a alimentar e mover o
mundo. Tomara que nosso povo possa colher esses benefícios e vir
a
desfrutar de uma melhor qualidade de vida.
“Os organismos internacionais têm levantado a existência de
uma população de 1 bilhão de pessoas que ainda
passam fome”, observou Wagner Rossi, no lançamento das
Projeções do Agronegócio 2010/2011 a 2020/2021.
Elaborado pela Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do
Ministério, em conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), o estudo mostra que a
produção agropecuária do país deve crescer
23%, em volume, com incorporação de 9,5% de novas
áreas cultivadas no período.
“O Brasil tem potencial para se tornar o maior fornecedor de
proteína animal e vegetal do mundo”, destacou Wagner Rossi. Ele
ressaltou que os dados apresentados são conservadores.
Atualmente, o Brasil é o segundo maior fornecedor no mercado
internacional de alimentos, mas, segundo as projeções, se
aproximará cada vez mais dos Estados Unidos, que detém a
liderança.
“Esta radiografia mostra que o Brasil, nos próximos anos,
continuará a marchar firmemente em direção a essa
meta, de se tornar o maior agente no mercado internacional de
alimentos”, disse.
O país é líder mundial em produtos como carne de
frango e de boi, além de manter o primeiro lugar na
produção de açúcar, café e suco de
laranja. Outro produto tradicional, o algodão, deve ter o maior
incremento na produção (48%) e nas
exportações (68%) na próxima década.
As estimativas mostram ainda grande potencial na celulose e no leite.
“Temos uma janela de oportunidade muito significativa nos
lácteos, já que os países que têm
protagonismo na produção estão no seu limite”,
observou Wagner Rossi.
A confiança do ministro na força da agricultura
brasileira decorre da utilização intensiva de tecnologia
e da situação do mercado internacional nos
próximos anos.
O cenário é de uma demanda maior
por alimentos e em expansão, graças às
mudanças no perfil econômico dos países,
especialmente os emergentes, que antes tinham menos acesso à
alimentação, sobretudo ao consumo de proteína.
Ele destacou a importância das projeções para
orientar a alocação dos recursos naturais, humanos e
financeiros disponíveis da melhor maneira.
O ministro afirmou que o Brasil é um dos poucos países do
mundo que pode ampliar a produção de alimentos com ganhos
reais de produtividade e mantendo a salvo suas reservas naturais.
Ele se baseava em estudos do próprio governo que indicam os
rumos da produção agrícola nacional na
próxima década. A estimativa é que o cultivo de
grãos – arroz, feijão, milho, soja em grão e trigo
– deve aumentar 23% até 2021, com expansão de 9,5% da
área plantada.
“Nos próximos dez anos, nas estimativas mais conservadoras
nossas, o crescimento do volume de alimentos produzidos no país
representará um incremento de 33 milhões de toneladas
à produção atual”, aposta Wagner Rossi.
O relatório aponta que, comparado à última
década, haverá uma redução na quantidade de
terra utilizada para o plantio de grãos. No início do
século, a área de plantio da colheita cresceu 21%, em
relação ao mesmo período no início dos anos
90.
O estudo aponta ainda que o volume de grãos produzidos em 2010,
equivalente a 142,9
milhões de toneladas, deve superar os 175,8
milhões de toneladas em 2021. Contudo, o ECONOMIA
BR já prevê 172,0
para bem mais cedo, em 2012.
De acordo com o relatório elaborado pela Assessoria de
Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, a
produção de soja deve crescer 25,9% nos próximos
dez anos. A projeção prevê 86,5 milhões de
toneladas a serem colhidas dentro de uma década. Em 2010,
a produção foi de 68,7 milhões de toneladas.
“Cada vez mais a proteína é demandada no Brasil e no
mundo. Temos todas as condições de continuar manter essa
oferta, ainda que crescente”, destaca o ministro.
Depois da soja, o milho deve se sobressair na produção,
podendo chegar a 65,5 milhões de toneladas no início da
próxima década, o que representaria um crescimento de
23,8%.
Em 2010, a produção foi de 52,9 milhões de
toneladas. Segundo estimativas do governo, a área plantada do
grão nos próximos anos subirá de 12,9
milhões de hectares para 13,3 milhões.
O cultivo de arroz pode subir de 12,5 milhões de toneladas,
colhidos em 2010, para 13,7 milhões. Mesmo com aumento na
produção, o grão se destacará com a maior
redução de área plantada, passando de 2,56
milhões de hectares para 1,61 milhões de hectares. “Isso
se deve à incorporação de tecnologia”, destaca
Wagner Rossi.
Até 2021, a estimativa do governo é que a área
total plantada com lavouras chegue a 68 milhões de hectares.
Atualmente, a área é pouco superior a 62 milhões
de hectares.
A expansão deverá acontecer por conta do crescimento do
plantio de soja, que passará de 24,74 milhões de hectares
para 30 milhões de hectares, e da cana-de-açúcar,
que deve saltar de 9,42 milhões de hectares para 11,52
milhões de hectares – principalmente destinada à
produção de açúcar e
álcool.
SALDO DA BALANÇA DO
AGRONEGÓCIO
O
Agronegócio saiu de um saldo comercial de US$ 20,4
bilhões em 2002 para atingir em 2010 um forte superávit
US$ 63,0 bilhões, triplicando o valor neste periodo.
Isso ocorre por ser o mercado
exportador mais dinâmico da economia brasileira,
representando, com justiça, pela modernidade e
produtividade, o
"fiel" da balança no saldo do comércio
exterior do país.
Como a
cadeia produtiva na agricultura utiliza poucos insumos e
matéria-prima importados, comparativamente a outros setores, a
participação do agronegócio no saldo comercial tem
crescido sempre.
EXPORTAÇÕES E
BALANÇA
DO AGRONEGÓCIO
US$ BILHÕES
ANO
|
EXPOR
TAÇÕES
|
IMPOR
TAÇÕES
|
COMÉRCIO TOTAL
|
SALDO
COMERCIAL
|
AUMENTO
DO SALDO
|
2002
|
24,8
|
4,4
|
29,2
|
20,4
|
|
2003
|
30,6
|
4,7
|
35,3
|
25,9
|
+
27,0%
|
2004
|
39,0
|
4,8
|
43,8
|
34,2
|
+
32,0%
|
2005
|
43,6
|
5,1
|
48,7
|
38,5
|
+
12,6%
|
2006
|
49,5
|
6,7
|
56,2
|
42,8
|
+ 11,2%
|
2007
|
58,4
|
8,7
|
67,1
|
49,7
|
+
16,1%
|
2008
|
71,8
|
11,8
|
83,6
|
60,0
|
+
20,7%
|
2009
|
64,8
|
9,9
|
74,7
|
54,9
|
-
8,5%
|
2010
|
76,4
|
13,4
|
89,8
|
63,0
|
+
14,8%
|
Fonte; Ministério
da Agricultura (em xls).
As
exportações também triplicaram entre 2002 e 2010,
quando chegaram a US$ 76,4
bilhões. O crescimento foi de 17,9% sobre o saldo de US$
64,8 bilhões em 2009.
O Brasil colhia em 2011
algo como 161,2 milhões de toneladas de grãos (mt). Para tal, explorava somente 48,9 milhões de
hectares (mh).
Porém, recente
relatório do
USDA (Departamento de Agricultura
dos EUA) revela que o país ainda pode agregar outros 170 mh, igual a toda a área plantada dos EUA hoje, sem
contar com a Amazônia e o futuro Nordeste irrigado.
No todo, o potencial é de
mais que o dobro, chegando a 370 mh. Apenas o Mato Grosso possui 90 mh
úteis e explora apenas 5
milhões. A Amazônia tem hoje 70 mh de área
desflorestada e em degradação e mais
áreas hoje plantadas com soja, mas todas ideais para o BIODIESEL. Junto com seu reflorestamento,
poderiam ser utilizados 35 mh.
O mesmo ocorre com 135 mh em todo o vasto Nordeste, incluindo o
semi-árido. A
Agricultura poderá ainda ocupar, por baixo, outros 90
milhões dos 220 mh hoje
usados por
pastagens para a pecuária.
Tendo 300 mh de novas áreas
disponíveis para plantações de
cana-de-açúcar, o Brasil poderia produzir hoje
impensáveis 2 TRILHÕES DE LITROS DE ETANOL, com
uma média de 6,67 mil litros por hectare.
Esse volume atenderia às necessidades do mundo em 2025. Seriam 12,6 bilhões de barris
anuais que, a apenas US$ 200,00, valeriam espantosos US$ 2,52
trilhões.
NOVAS
ÁREAS PARA O ETANOL
MILHÕES
DE HECTARES
REGIÃO
|
MH
|
MATO GROSSO
|
85
|
AMAZÔNIA
|
5
|
NORDESTE
|
100
|
OUTROS
|
20
|
PASTAGENS
|
90
|
TOTAL
|
300
|
O Brasil dispõe da
maior reserva mundial de terras aráveis, por volta de 400 mh.
(Arte: The Economist)
Com o uso de 200 mh dessas
áreas novas, a área total utilizada poderá
quintuplicar, chegando talvez a 250
mh, ou 47% a mais que os EUA (já no seu limite,
além de amplamente subsidiado e protegido), e podendo atingir uma
produção de grãos de hoje inimagináveis 600 MILHÕES DE TONELADAS
ANUAIS.
Por outro lado, pode-se contar com pequena parte da Amazônia
(parte mínima dos 5,2 milhões de km2) e com o
Semi-Árido do Nordeste irrigado pelo desvio de águas do
Norte, como
dos Rios Parnaíba e Tocantins (ver abaixo em LNN),
e com o manancial hídrico de seu subsolo
(aqüíferos), totalizando uma área de 170 mh somente para o cultivo de
cana-de-aúcar e de plantas oleaginosas, com os quais se
produzirá BIOCOMBUSTÍVEIS.
De acordo com a presente
simulação do ECONOMIA BR,
o cultivo de
170 mh no Nordeste e na Amazônia deverá render,
aproximadamente, incríveis 13,8 BILHÕES DE
TONELADAS de cana e plantas
oleaginosas que, beneficiados, responderão com 544 BILHÕES DE LITROS de BIOCOMBUSTÍVEIS ao
ano.
Serão 3,42 bilhões de barris de biocombustíveis
anuais, ou uma gigantesca produção em 2022 de algo como 9,4 milhões
de barris diários equivalentes ao petróleo para exportação, só que
já
prontos para o consumo e muito mais valorizados pela difícil
guerra
da humanidade contra o aquecimento global.
Tudo isso já seria
fantástico, sem sequer ressaltar o gigantesco potencial da
área hoje
utilizada no país para colher quase 500 MILHÕES DE TONELADAS de cana-de-açúcar
a cada safra (conforme previsto para a safra 2006/07).
A futura LIGAÇÃO
NORTE-NORDESTE (LNN),
com ÁGUA, REFLORESTAMENTO, CIVILIZAÇÃO,
"choques" de produtividade, e um gigantesco POTENCIAL
SINÉRGICO e ENERGÉTICO,
inigualável no
Planeta, é que poderá viabilizar tal
produção total anual de 13,8 BILHÕES DE
TONELADAS de insumos
para os BIOCOMBUSTÍVEIS.
Com excedentes
de 600 mt de grãos,
será possível representar 15% de um mercado mundial
consumidor de 4 bt anuais de alimentos em 2013, pois o planeta já terá
atingido todas suas fronteiras agrícolas, entrando em
esgotamento e declínio com aquecimento e
desertificação, mas o Brasil poderá estar no meio
de um longo caminho de prosperidade (desde que cuidando ainda hoje de
seu meio-ambiente e nascentes com grandes investimentos).
O saldo comercial do
agronegócio brasileiro poderá atingir a cifra anual de US$ 500 bilhões a partir de 2020, ou
quase 8 vezes o saldo de 2010 (500/63).
Os produtos serão
comercializados com alto valor agregado (ex: cortes de carnes,
empacotamento para varejo feito já na origem) e seus
preços finais serão, pelo menos, 3
vezes superiores aos atuais (de US$ 200 para > US$ 600 a
tonelada).
Isso estará puxando e alavancando todo o resto da economia para
patamares ainda superiores.
A crescente
demanda por alimentos na CHINA, na
ÍNDIA e no mundo,
além das possibilidades
de transformar produtos agrícolas no necessário biocombustível (caso do óleo de
soja, mamona, girassol, e da cana), são apontados como os principais motivos da
forte expansão da
agricultura.
E tudo isso acima poderá ser feito sem prejudicar a
Amazônia, o Pantanal, ou ainda qualquer reserva ambiental do
país, áreas que serão exaustivamente monitoradas e preservadas, atividades em franco
crescimento no Brasil.
De fato, em 2007, o governo brasileiro
passou a desenvolver
um
plano de expansão da produção de etanol para
exportação a nível global. O plano teve
início com uma pesquisa da Unicamp, que verificou a viabilidade
de o etanol brasileiro substituir 10% da gasolina no mercado mundial,
em 20 anos. Tal levantamento indicou que, para o Brasil chegar a essa
posição, será necessário investir R$ 20
bilhões anuais em produção e logística.